sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Semifeudalismo partidário

* Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira,
jornalista, professor universitário
      Bem instigante, do ponto de vista subreptício, dos interesses envolvidos e da transparência - ou da falta dela -, a debandada que ocorre quando surge um novo partido. Agora não é diferente, com a migração de políticos de agremiações diversas para o novo Partido Social Democrático (PSD), criado pelo insosso prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Nessa montagem, também há um desmanche partidário, que afeta especialmente o DEM, e um novo partido surge, não necessariamente com novas ideias.
Pode-se dizer que é tudo por “ideologia”. Sim, as mudanças de siglas ocorrem por “ideologia”, no caso presente para um partido sobre o qual seu fundador disse que não será “nem de esquerda, nem de direita, nem de centro”. Então, ideologicamente, seria de que linha? Até agora, muito pouco se sabe, mas pelo que se conhece, pelo comportamento histórico da maioria das demais siglas partidárias, o PSD pode ir para qualquer lado, em termos de ideologia. Atualmente, apesar de estar surgindo, mostra-se sem rumo, como algumas velhas agremiações de ideario pobre. Também mostra velhas práticas para obter as 490 mil assinaturas que necessita, em no mínimo nove Estados, para ser um partido político: em Santa Catarina, assinaturas com nomes de eleitores mortos; no Paraná, eleitores analfabetos assinando listas; em São Paulo e no Rio de Janeiro, assinaturas falsificadas.   
Não se sabe, na verdade, se o chamado “Partido de Kassab”, ou PK, vai ser oposição ou situação. Mesmo sem rumo, poderá ter de 40 a 50 parlamentares no Congresso Nacional, equiparando-se, numericamente, ao PT, ao PMDB e ao PSDB. Pelas oportunidades que proporciona, diante da legislação, atrai em verdadeira baldeação até antes ferrenhos oposicionistas ao governo federal, que de repente podem ser da base aliada, ou alinhada. É o puro cinismo partidário. 
     O total de partidos políticos existentes hoje no Brasil, como mostra o Tribunal Superior Eleitoral (http://www.tse.gov.br/internet/partidos/index.htm), é de exatamente 27. Portanto, o PSD será o 280, numa lista de nomes até estranhos, muitos inexpressivos. Se analisarmos os estatutos de cada um, certamente pouca será a diferença entre eles.
Propor atuação ideológica é uma coisa, segui-la na acepção genuína das propostas e princípios partidários é outra questão, pelo que se vê atualmente na miscelânea partidária do país. O PSD é só mais um exemplo, e tomará que não se torne mais um mau exemplo no histórico partidário do país.
Hoje, na política partidária brasileira, praticamente tudo depende de negociações, às vezes de negociatas, de arranjos, de cargos, com propósitos nem sempre bons para o país, os Estados e os municípios. Pior, nem sempre são bons para o eleitor e para o contribuinte, como mostram verdadeiras quadrilhas formadas em determinados órgãos públicos para subtrair recursos.
Como bem analisou a revista inglesa The Economist, ao tratar da política brasileira, o país ainda apresenta semifeudalismo nesse campo. Ou seja, há políticos semifeudais que ainda prevalecem em alguns cantos, ou centros, do Brasil, perpetuando velhas práticas, em partidos velhos ou naqueles que vão surgindo. 

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Os jornalistas e o diploma

Matéria do site Comunique-se trata do diploma para o exercício profissonal do jornalista. Com o título "Volta do diploma não é de interesse da imprensa", apresenta avaliações do deputado Paulo Pimenta, autor de uma das Propostas de Emenda Constitucional (PEC 386) que restitui o diploma para o exercício  pleno da profissão de jornalista. De autoria de jornalista Izabela Vasconcelos, o texto merece uma reflexão daqueles que desejam informações de qualidade voltadas para o conjunto da sociedade.


"Os jornalistas cobrem tudo, mas não falam da situação deles (...) O jornalista que está no mercado acredita que não é um problema para ele.”, critica o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), autor da PEC que pede a volta da exigência da graduação específica em jornalismo.
Após quase dois anos da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que extinguiu a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, a imprensa pouco tem falado do assunto. “A volta do diploma não é de interesse da imprensa, não é interesse jornalístico. Os jornalistas cobrem tudo, mas não falam da situação deles”, critica o deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), autor da PEC 386/09, que pede a volta da exigência da graduação específica em jornalismo.
De acordo com o parlamentar, a proposta só foi aprovada em todas as Comissões da Câmara pelo barulho nas redes sociais, nas faculdades de jornalismo e pelo trabalho nas bases políticas.
O deputado também critica a postura dos jornalistas e veículos de comunicação que não se sentem parte da questão. “O jornalista que está no mercado acredita que não é um problema para ele e existe a pressão das empresas também. O pano de fundo por trás de tudo isso é a questão da força econômica. Os grandes grupos de comunicação - que cada vez mais diversificam suas atividades, abrem seus capitais - a informação é uma mercadoria como qualquer outra, igual ao cara que vende laranja, vendo atum, vende feijão. Eles vendem informação”.
Pimenta acredita que nesses quase dois anos da queda do diploma, que serão completados nesta sexta-feira (17/6), muitas questões devem ser respondidas. “Aumentou a liberdade de expressão?, o sigilo da fonte será para todos? E como ficará o credenciamento dos jornalistas na Copa e Olimpíadas aqui no Brasil, já que todos podem ser jornalistas?”, questiona.
A expectativa do deputado é que a PEC possa ser votada até o final deste ano, trazendo novamente a exigência do diploma para o exercício da profissão. Outra PEC, a 33/09, de autoria do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), aguarda para ser votada no Senado.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Dia da Imprensa e qualidade da informação

Primeiro de junho é o Dia Nacional da Imprensa no Brasil. A passagem da data, instituída em 1999, em substituição à comemoração que era realizada em 10 de setembro, levou as entidades representativas e sindicatos, sob a liderança da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) a reforçar a importância da informação de qualidade para a sociedade e o movimento pela aprovação de Propostas de Emenda Constitucional que restituem a necessidade de diploma para o exercício profissional.

A seguir, a manifestação da diretoria da Fenaj:     

Celebrado desde o ano 2000 como “Dia Nacional da Imprensa”, este 1º de junho enseja a reflexão sobre a realidade da comunicação no Brasil. E, particularmente para os jornalistas, remete à centralidade das lutas em defesa do diploma, de uma nova e democrática Lei de Imprensa e de um novo marco regulatório do setor como indispensáveis para se inaugurar um novo ciclo de prosperidade democrática e de consagração do direito da sociedade à informação de qualidade.
Instituído pela lei 9.831/1999, o Dia Nacional da Imprensa alude à primeira circulação do jornal Correio Braziliense, de Hipólito da Costa, em contraposição à oficialesca Imprensa Régia do Brasil Império do século XIX. Portadora de contradições e conflitos de sua época, tal publicação trazia em seu cerne ideais libertários de uma imprensa livre e de mudanças que contribuíram para fortalecer a perspectiva do Brasil republicano que temos hoje.
Mas é preciso reafirmar que a plena liberdade de imprensa, embora assegurada constitucionalmente, é cotidianamente agredida no Brasil e no mundo, por motivações políticas, econômicas e ideológicas que se expressam em ações de governantes, entes do Judiciário, do parlamento e mesmo dos proprietários dos veículos de comunicação. A Fenaj e os sindicatos de jornalistas defendem a aprovação de uma legislação de conteúdo democrático que regule as relações entre os veículos de comunicação, os profissionais e a sociedade. Nesta terra sem Lei de Imprensa, o substitutivo ao projeto de lei nº 3.232/1992 está pronto para votação há quase duas décadas na Câmara dos Deputados.
Maior e mais democrático espaço de debates sobre as comunicações no Brasil que envolveu representações do governo, dos empresários e da sociedade civil, a 1ª Conferência Nacional de Comunicação produziu deliberações que avançam na democratização do setor, superando a legislação obsoleta que permanece em vigor desde a década de 1960. A Fenaj, os sindicatos de jornalistas e demais entidades que se articulam em torno do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação, prosseguem na defesa de que o governo federal apresente sua proposta de novo Marco Regulatório para dialogar com a sociedade, com vistas a apresentar para apreciação do Congresso Nacional um projeto mais aperfeiçoado.
Formação profissional é fundamental para garantir o direito da sociedade à informação qualificada. E cabe à Câmara dos Deputados e ao Senado restituir aos jornalistas e à sociedade o que o STF suprimiu ao confundir direito de opinião com o exercício profissional do Jornalismo. As Propostas de Emenda Constitucional 386/09 – que tramita na Câmara – e 33/09 – que tramita no Senado – já têm pareceres pela sua aprovação e estão prontas para votação.
Neste 1º de junho, comemorar o Dia da Imprensa significa, também, valorizar o Jornalismo, os jornalistas e a sociedade. Por isso pedimos que o parlamento brasileiro não renuncie à sua prerrogativa republicana, legisle e aprove as PECs do Diploma.”

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Formação superior para contratação de jornalistas no serviço público catarinense

    Boa notícia que vem do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina:

Os deputados estaduais de Santa Catarina, por 24 votos a um, rejeitaram, em votação secreta em sessão ordinária da Assembleia Legislativa, o veto ao projeto de lei 63/2010, que torna obrigatória a exigência da formação superior em Jornalismo para contratação de profissionais para o exercício da função no serviço público catarinense.
Aprovado por unanimidade em dezembro passado, o PL 63/2010, de autoria do deputado e jornalista Kennedy Nunes, sofreu veto total pelo governador Raimundo Colombo, em janeiro, e acabou sendo o primeiro veto do Executivo rejeitado pelo Legislativo, em 2011. Apesar de ter um voto a favor da manutenção do veto, não houve nenhuma manifestação nesse sentido, no Plenário. A maioria dos parlamentares, inclusive, se declarou a favor do texto e aderiu ao uso de adesivos da Campanha em Defesa da Profissão de Jornalista, do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina (SJSC) e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).
“A rejeição ao veto do PL 63/2010 significa qualidade no serviço público e especialmente no jornalismo prestado à sociedade. Além de atender a uma reivindicação histórica da categoria, transformar esse projeto em lei demonstra respeito a toda sociedade catarinense, destacando estudantes e professores dos 16 cursos de Jornalismo existentes em Santa Catarina”, disse Rubens Lunge, presidente do Sindicato dos Jornalistas.
Ainda que o governo do Estado tenha se comprometido, anteriormente, a contratar somente jornalistas com formação superior específica, o sindicato trabalhou de forma que esse requisito fosse mantido. “A partir de agora, vamos batalhar para aprovar essa lei também nos municípios do Estado e também no país”, completou o dirigente.  

terça-feira, 8 de março de 2011

Para Indignar-se - 1

Inúteis no Parlamento - O Senado Federal entrou em feriadão carnavalesco no dia 2 de março. Somente volta a “trabalhar” no dia 15, e essa situação não é muito diferente na Câmara dos Deputados. Desse descanso, que ocorre logo após quase 60 dias de férias anuais usufruídas por deputados e senadores, ninguém terá qualquer desconto nos mais de R$ 130 mil que são gastos mensalmente com cada um dos 81 senadores e dos R$ 110 mil que cada um dos 513 deputados federais custa ao país, muitos deles se mostrando absolutamente inúteis no Parlamento Nacional.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Curso de Jornalismo da Unochapecó entre os cinco principais do país

Como jornalista formado pelo curso de Jornalismo mais bem posicionado na última avaliação do Enade, da Universidade Federal de Santa Maria, e como professor do quinto melhor colocado e o primeiro entre as instituições não públicas, sinto-me gratificado em poder multiplicar está importante informação.
                                                                                     Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira

O curso de Jornalismo da Universidade Comunitária da Região de Chapecó, que completou 13 anos neste dia 16 de fevereiro, é o primeiro no país entre aqueles ministrados por instituições de educação superior não estatais. Isso é o que mostram os últimos dados do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade 2009), divulgados pelo Ministério da Educação, através do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).
Implantado oficialmente em 16 de fevereiro de 1998, o curso de Jornalismo da Unochapecó, conforme o novo ranking do Enade, ocupa a quinta colocação, na frente de cursos das mais conceituadas universidades do país. Primeiro posicionado entre as universidades não estatais, é antecedido somente pelos cursos de Jornalismo de quatro instituições públicas, a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Federal de Viçosa, a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Federal de Santa Catarina. Com o conceito cinco, o mais alto do Enade, está entre os 4,5% que obtiveram esse índice, em mais de 6.800 cursos avaliados em várias áreas do conhecimento.
Dos 299 cursos de Jornalismo analisados no país, apenas 19 obtiveram o conceito cinco. Quinto entre esses 19, o Jornalismo da Unochapecó obteve 4,50 no Enade Contínuo, no qual a primeira colocada ficou com 4,96. O curso já formou nove turmas, a primeira em 2002, e tem 190 jornalistas colocados no mercado de trabalho.
Estrutura do curso
Com duração de quatro anos e o total de 2.550 horas/aula, o curso de Jornalismo da Unochapecó tem em sua estrutura laboratórios de televisão, rádio e fotografia, estúdio de fotografia e Agência de Comunicação Integrada (Acin). Também possui ações de extensão e de pesquisa e produtos midiáticos em disciplinas de redação, jornalismo online, telejornalismo e radiojornalismo. Além disso, realiza iniciativas para a atualização na área, como seminários e palestras, e incentiva a participação dos acadêmicos em eventos de comunicação em nível regional e nacional.
Para a coordenadora do curso, professora Mariangela Torrrescasana, o resultado obtido no Enade é fruto do trabalho de uma equipe de professores extremamente preocupada com a qualidade, da participação dos alunos que demonstram seu preparo e da direção da Área de Ciências Sociais Aplicadas e da Reitoria, “que acreditaram na potencialidade do curso, como mostram os inúmeros investimentos efetuados para qualificar a infraestrutura dos laboratórios e espaços acadêmicos nos últimos dois anos”. 
Sistemática do Enade
Os últimos dados do Enade divulgados pelo MEC têm base no exame realizado em 8 de novembro de 2009, quando foram avaliados 6.804 cursos, de 1.695 instituições de educação superior. A avaliação, que vai de 1 a 5, considera a qualidade do projeto pedagógico dos cursos, a infraestrutura oferecida, a titulação e o regime de trabalho do corpo docente. Os resultados cinco e quatro significam excelência, três é satisfatório e dois e um são considerados insatisfatórios.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Partidos cínicos

É bem interessante a discussão que ocorre sobre a ocupação de vagas por suplentes na Câmara dos Deputados e na Assembléia Legislativa. É interessante, na verdade, do ponto de vista cínico.
Partidos que se juntaram para a eleição, formando coligações até com grande quantidade de siglas, numa mistura normalmente amorfa, sem identidade, logicamente para facilitar a eleição de maior número de candidatos, agora agem ao contrário. Negam a essência da união: usufruir do bônus e dividir o ônus, de maneira equitativa. Usando brechas legais, querem que os suplentes assumam considerando os nomes mais votados do partido individualmente, e não da coligação. Assim, vaga que é aberta não seria ocupada pelo suplente mais votado da coligação, mas pelo suplente que obteve mais votos pela sigla.
Se forem coerentes, esses partidos não mais ingressarão em coligações e no próximo pleito terão a chamada chapa pura. Seus parlamentares, se forem justos, proporão uma lei para acabar com as coligações nas eleições ao Parlamento ou, pelo menos, para mudar a situação atual, de forma que a decisão sobre quem assume não fique sob a deliberação do Judiciário, normalmente demorada, às vezes claudicante.
Mudar o jogo jogado - Liminares de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) já definiram, provisoriamente, que a cadeira é do partido. Isso mostra que na visão de parte do Judiciário ao interpretar a lei, ou agir em decorrência de dubiedade legal, o efeito das coligações cessa quando termina a eleição. Porém, vemos que do ponto de vista de alguns dirigentes de partidos não é bem assim, e agora querem mudar as regras do jogo jogado.
Para ocupar espaços, a ganância é suprapartidária, às vezes desavergonhada. Quase sempre desprestigia o critério da competência técnica e a expectativa salutar de eficiência na função.
A legislação, a despeito do quociente eleitoral, que avalia a relação entre o total de votos e o número de vagas, deveria simplesmente valorizar o mais votado, para evitar conchavos de oportunidade e impedir que candidatos com votação inexpressiva ocupem vagas, ou que àqueles muito bem votados puxem despreparados para o Parlamento. A lei poderá, assim, evitar conveniências e até valorizar a fidelidade partidária, legitimando mais a relação eleitor/voto/partido/eleito/cobrança/resultados.
Pequenez política - O que vemos na briga pela ocupação de vagas pelos suplentes é o arcaísmo, a velharia de um sistema partidário que não condiz com o nível da democracia que o país atingiu. Condiz, infelizmente, com lideranças ultrapassadas, profissionais da política, que dia a dia contribuem para a desqualificação do debate e para a queda do nível político. É a pequenez política, ou melhor, da pior política partidária, que se sobressai.  

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Governo estadual tem poucas prioridades para o Oeste

   Matéria jornalística publicada pelo jornal Diário Catarinense deste domingo, 6 de fevereiro, lista 11 obras prioritárias para o governo do Estado, segundo a Secretaria de Infraestrutura de Santa Catarina. Cinco delas estão na capital ou próximo a Florianópolis e duas no Norte do Estado. Para o Oeste, pouquíssimas perspectivas, basicamente acesso a municípios, coisa que o governo estadual já deveria ter feito há muito tempo.
    Projetos de maior impacto, como a duplicação da BR 282, o projeto da Ferrovia da Integração e o Contorno Viário Leste de Chapecó, não merecem uma linha sequer nas propostas prioritárias do governo catarinense, anunciadas por um secretário que é (ou era) da região. Pelo jeito, foi-se a descentralização.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Piratas parlamentares

Nesta terça-feira, 10 de fevereiro, tomaram posse nas assembléias legislativas os novos deputados estaduais e no Congresso Nacional os senadores e os deputados federais. Uma reflexão sobre o que têm feito, ou não, determinados parlamentares, é importante neste momento de alguma renovação nas casas legislativas (menor do que se esperava), e que possui relação com o que vemos na imprensa, e provavelmente com o que veremos nos próximos anos.
Alguns parlamentares, pelo que se lê e se vê nos órgãos de comunicação, têm sido mais eficazes no aparecimento midiático do que nos resultados que apresentam no Parlamento – municipal, estadual ou nacional. São aqueles que menos trabalham do que se mostram, que mais “aparecem na foto”, postam-se como “papagaios de pirata” e oportunisticamente aproveitam os flashes.
Esse aparecimento desproporcional ocorre com muitos que estão nas câmaras de vereadores, na Assembléia Legislativa, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. Eles se contrapõem na eficiência (no caso aqui analisado, pela ineficiência), àqueles que, sem alardes, efetivamente realizam um trabalho parlamentar de consistência, e de forma coerente, sem exposição exagerada e honradamente, valorizam a importância de prestar contas, pelos meios de comunicação, sobre a efetiva atuação.
Da legislatura anterior, existem aqueles que não deveriam ter sido reeleitos, pela improdutividade parlamentar, sem projetos, sem propostas. Também tivemos quem se elegeu “sem vergonha”, mas felizmente temos aqueles que honram o Parlamento. Eleitos e empossados, todos terão que mostrar serviço, e aparecer pelo que efetivamente fizerem para a população, sem enganações.   
Para a decisão dos editores, mesmo os de fotografia, fica difícil “separar o joio do trigo”. Já o leitor, ou melhor, o eleitor, pode não ter a mesma dificuldade e na hora do voto verá quem fez e quem mais apareceu do que fez.
Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Violência, ação e reação

* Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira,
jornalista, professor universitário

      É interessante vermos como reagem algumas autoridades quando sofrem com os mesmos revezes aos quais o cidadão comum está sujeito em seu cotidiano. Uma das atitudes que mais chama a atenção é quando uma autoridade é vítima da insegurança, ou quando requer atendimento especial por sua condição.
      Em dezembro de 2006 a então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, e o vice-presidente, Gilmar Mendes, foram assaltados no Rio de Janeiro e isso, pelo nível dos envolvidos, suscitou discussão sobre medidas mais rígidas de combate à violência. No dia 17 passado, a desembargadora Salete Sommariva, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, também foi vítima de violência, em assalto praticado por oito adolescentes, e diante da gravidade do fato defendeu, legitimamente, a diminuição da maioridade penal e a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente.   
      Depois de situações como essas, na segurança e em outras áreas, o tempo passa e muito pouco é feito, de forma conseqüente, para prevenir as causas na raiz. Veja-se o que ocorre com as enchentes em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, que têm sido anuais, mas com atenção baseada, no geral, em medidas paliativas.
Em boa parte, a falta de ação plenamente responsável ocorre por culpa da própria imprensa, que não reaquece a discussão, não reaviva pautas e cobra pouco do poder público. Ocorre, também, pelo distanciamento, do mundo real, de muitas autoridades. Encastelados em seus refrigerados gabinetes, em suas seguras residências e em seus protegidos automóveis, inúmeros são os homens públicos, e também as mulheres autoridades, que desaparecem, a não ser em época de eleição, quando, como verdadeiros sanguessugas do voto, tomam as ruas e viram “gente do povo”.
Uma das possibilidades levantadas para prevenir a delinquência é a redução da maioridade penal, até pelo anacronismo da legislação pertinente e pela falta de estrutura educativa e corretiva por parte do Estado. Neste caso, é interessante ver como certas pessoas, incluindo autoridades, agem ou reagem. Quem já foi assaltado por um menor ou adolescente, quer cadeia imediata para o criminoso. Outros, que nunca sofreram com a violência, filosofam sobre o absurdo de responsabilizar quem está na faixa de 14/16 anos, como se essa ainda fosse a idade da ingenuidade, da pura inocência.
O que vemos é que, no geral, propostas para reduzir a violência não geram comprometimento - especialmente das autoridades “responsáveis” -, e nem consequências. Ainda mais com leis indolentes que supostamente existem para preservar inocentes, ou “menores”, mas que desconsideram as vítimas e, indiretamente, ajudam a multiplicar o número de delinquentes.
No mínimo é incoerente apenas argumentar – momentaneamente – sob a “porta arrombada”, ou defender que a segurança pública “é direito do cidadão”, ainda mais quando se trata da própria porta, enquanto a porta do outro está cotidianamente em risco.

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Compromisso com a informação

* Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira,
jornalista, professor do curso
de Jornalismo da Unochapecó.

    
     Sempre que um novo meio de comunicação surge, esse fato se reveste de alta importância, pela expectativa que apresenta diante dos prováveis resultados como instrumento de mídia, com seu amplo reflexo social. Mesmo que seja um blog como este, o compromisso com o leitor tem que ser fundamento prioritário.
Não se pode agir com o pensamento de que a web “aceita tudo”. Tecnicamente, pode até aceitar, mas ética e profissionalmente é outra coisa. São inúmeros os exemplos nefastos de uso da internet, irresponsavelmente utilizada para fins de comunicação, ainda mais com todas as facilidades - e respectivas utilidades e, também, futilidades -, que as mídias sociais apresentam.
Ao mesmo tempo em que um veículo de comunicação, em qualquer tipo de plataforma, representa uma alternativa de informação, também se configura a correspondente responsabilidade para quem o idealiza. Quando um meio surge, por exemplo, do idealismo de acadêmicos que buscam sua formação universitária em jornalismo, ou advém de profissionais já formados, a expectativa é maior, mas ninguém pode esquecer da formação continuada. Maior é, igualmente, o compromisso, porque significa a aplicação de conhecimentos que se configuram pela conciliação entre a teoria e a prática jornalística e que exigem que sejam aliados os fatores técnicos do jornalismo, e suas infindáveis nuances, com a gestão do negócio ou a edição de um meio de comunicação.    
Um dos paradigmas é a vida longa para um veículo, no desafio para que não se some a outros que ampliaram a taxa de mortalidade das propostas de mídia impressa ou de outros tipos de mídia. Vida longa requer, além do conhecimento em jornalismo e do preparo para a gestão do negócio, um bem definido planejamento de conteúdo.
Nesse sentido, a expectativa, sempre, é de que qualquer novo veículo que surgir cresça, mesmo que seja um blog, se mantenha e desenvolva com efetividade o serviço informativo, ou opinativo, com qualidade textual e afinco ético permanente.