sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Violência, ação e reação

* Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira,
jornalista, professor universitário

      É interessante vermos como reagem algumas autoridades quando sofrem com os mesmos revezes aos quais o cidadão comum está sujeito em seu cotidiano. Uma das atitudes que mais chama a atenção é quando uma autoridade é vítima da insegurança, ou quando requer atendimento especial por sua condição.
      Em dezembro de 2006 a então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie, e o vice-presidente, Gilmar Mendes, foram assaltados no Rio de Janeiro e isso, pelo nível dos envolvidos, suscitou discussão sobre medidas mais rígidas de combate à violência. No dia 17 passado, a desembargadora Salete Sommariva, do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, também foi vítima de violência, em assalto praticado por oito adolescentes, e diante da gravidade do fato defendeu, legitimamente, a diminuição da maioridade penal e a revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente.   
      Depois de situações como essas, na segurança e em outras áreas, o tempo passa e muito pouco é feito, de forma conseqüente, para prevenir as causas na raiz. Veja-se o que ocorre com as enchentes em Santa Catarina e no Rio de Janeiro, que têm sido anuais, mas com atenção baseada, no geral, em medidas paliativas.
Em boa parte, a falta de ação plenamente responsável ocorre por culpa da própria imprensa, que não reaquece a discussão, não reaviva pautas e cobra pouco do poder público. Ocorre, também, pelo distanciamento, do mundo real, de muitas autoridades. Encastelados em seus refrigerados gabinetes, em suas seguras residências e em seus protegidos automóveis, inúmeros são os homens públicos, e também as mulheres autoridades, que desaparecem, a não ser em época de eleição, quando, como verdadeiros sanguessugas do voto, tomam as ruas e viram “gente do povo”.
Uma das possibilidades levantadas para prevenir a delinquência é a redução da maioridade penal, até pelo anacronismo da legislação pertinente e pela falta de estrutura educativa e corretiva por parte do Estado. Neste caso, é interessante ver como certas pessoas, incluindo autoridades, agem ou reagem. Quem já foi assaltado por um menor ou adolescente, quer cadeia imediata para o criminoso. Outros, que nunca sofreram com a violência, filosofam sobre o absurdo de responsabilizar quem está na faixa de 14/16 anos, como se essa ainda fosse a idade da ingenuidade, da pura inocência.
O que vemos é que, no geral, propostas para reduzir a violência não geram comprometimento - especialmente das autoridades “responsáveis” -, e nem consequências. Ainda mais com leis indolentes que supostamente existem para preservar inocentes, ou “menores”, mas que desconsideram as vítimas e, indiretamente, ajudam a multiplicar o número de delinquentes.
No mínimo é incoerente apenas argumentar – momentaneamente – sob a “porta arrombada”, ou defender que a segurança pública “é direito do cidadão”, ainda mais quando se trata da própria porta, enquanto a porta do outro está cotidianamente em risco.

 

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Compromisso com a informação

* Hugo Paulo Gandolfi de Oliveira,
jornalista, professor do curso
de Jornalismo da Unochapecó.

    
     Sempre que um novo meio de comunicação surge, esse fato se reveste de alta importância, pela expectativa que apresenta diante dos prováveis resultados como instrumento de mídia, com seu amplo reflexo social. Mesmo que seja um blog como este, o compromisso com o leitor tem que ser fundamento prioritário.
Não se pode agir com o pensamento de que a web “aceita tudo”. Tecnicamente, pode até aceitar, mas ética e profissionalmente é outra coisa. São inúmeros os exemplos nefastos de uso da internet, irresponsavelmente utilizada para fins de comunicação, ainda mais com todas as facilidades - e respectivas utilidades e, também, futilidades -, que as mídias sociais apresentam.
Ao mesmo tempo em que um veículo de comunicação, em qualquer tipo de plataforma, representa uma alternativa de informação, também se configura a correspondente responsabilidade para quem o idealiza. Quando um meio surge, por exemplo, do idealismo de acadêmicos que buscam sua formação universitária em jornalismo, ou advém de profissionais já formados, a expectativa é maior, mas ninguém pode esquecer da formação continuada. Maior é, igualmente, o compromisso, porque significa a aplicação de conhecimentos que se configuram pela conciliação entre a teoria e a prática jornalística e que exigem que sejam aliados os fatores técnicos do jornalismo, e suas infindáveis nuances, com a gestão do negócio ou a edição de um meio de comunicação.    
Um dos paradigmas é a vida longa para um veículo, no desafio para que não se some a outros que ampliaram a taxa de mortalidade das propostas de mídia impressa ou de outros tipos de mídia. Vida longa requer, além do conhecimento em jornalismo e do preparo para a gestão do negócio, um bem definido planejamento de conteúdo.
Nesse sentido, a expectativa, sempre, é de que qualquer novo veículo que surgir cresça, mesmo que seja um blog, se mantenha e desenvolva com efetividade o serviço informativo, ou opinativo, com qualidade textual e afinco ético permanente.